Moda anti-monotonia
A Maria Bonita conseguiu arrancar aplausos da platéia com uma idéia simplérrima, numa prova de que não é preciso muita acrobacia para conceber uma coleção consistente, criativa e bem amarrada. Danielle Jensen escolheu olhar para o cardigã – quer coisa mais careta? – e, claro, conseguiu mostrar que um cardigã pode ser muito mais do que um cardigã. Danielle desconstruiu essa peça essencialmente masculina e transformou fragmentos dela em outras peças clássicas (mangas viraram cachecóis ou golas, inusitados e chiquérrimos ao mesmo tempo). Argyle – o famoso losango escocês – também apareceu "derretido", irregular, criando tramas assimétricas (ótimos os looks totais, inclusive com meias). Texturas são outro fetiche da coleção – imperdíveis os paetês de couro (que também aparecem na versão brilho de sempre, sobre o argyle e numa excelente calça para festa, em modelagem sarouel com barra afunilada). Por fim, a seção hi-tech, uma constante na marca: náilon com efeito de vinil (com brilho e caimento, finíssimo) versus a natureza quase-pura, de organzas de seda resinadas e rabiscadas com lápis de cera. Enfim, peças 100% usáveis e que causam um grande efeito em qualquer closet.
Simone Esmanhotto | Fotos: Agência Fotosite